sexta-feira, 17 de janeiro de 2014
Co Adopção
Sinto vergonha de fazer parte de um país governado por um bando de cobardes retrógradas e incapazes. Como é que é possível que em pleno séc. XXI, uma questão tão simples e óbvia de ser tomada por qualquer pessoa minimamente civilizada tenha de ser decidida por meio de um referendo? E não me venham falar em democracia, que isto é uma questão de ouvir a opinião do povo e que o poder de decisão está nas pessoas, são tretas. Onde estava esse direito de escolha quando foi para decidir que Portugal ia fazer parte da União Europeia? A quem é que perguntaram quando Portugal comprou dois muitíssimos úteis submarinos? E onde moravam os referendos quando se tratou de acorrentar o país à suposta ajuda de uma organização estrangeira? Todas essas foram decisões que afectaram concretamente e individualmente a vida de cada um dos portugueses, e por isso mesmo ninguém nos perguntou a opinião! Mas para decidir se dois seres humanos do mesmo sexo podem coadoptar uma criança, já tem de se perguntar a toda a gente. Temos de ir perguntar a cada um dos portugueses se não se importa que os pais ou as mães de uma criança tenham os dois os mesmos direitos sobre ela que um qualquer outro casal adoptante. De que modo é que isto não é uma decisão óbvia para um governo democrático de um estado de direito. Sendo lamentável acima de tudo e desde logo que se trate de uma coadaopão e não de uma adopção plena! Pareceu-me a mim que já tínhamos passado essa fase de ser um país homofóbico com a mentalidade de um homem das cavernas. Mas afinal não. Afinal ainda há por aí muita gente que se sente incomodado pelas escolhas das outras pessoas, por muito que essas escolhas não os afectem minimamente. E sentem-se incomodados de tal maneira que se acham no direito de decidir sobre a sua liberdade, e sobre os seus direitos. E o mais triste é que não são as idosas de 90 anos de uma qualquer aldeia perdida de Trás-os-Montes que se insurgem miseravelmente sobre este assunto, não, é o sector jovem de um partido que se denomina de social e democrata. Jovens citadinos, com formação, com o mundo aberto para eles. Quando é que vamos crescer, e evoluir enquanto sociedade, enquanto seres-humanos? Quando é que as pessoas vão parar de limitar-se umas às outras com rótulos e definições baratas, quando é que vamos entender que existem valores muito mais nobres de definir os outros do que coisas tão irrelevantes como o sexo da pessoa que amam? O argumento mais utilizado é o do superior interesse da criança. Não consigo entender de que forma é que este sai lesado pelo facto de aquela viver numa casa com duas pessoas que a amem, protejam e cuidem dela. Não consigo entender em que aspecto é que o simples facto de essas duas pessoas serem do mesmo sexo influencia o bem-estar da criança. Neste momento há centenas, milhares, de crianças a viver em casa com pais que os maltratam, abusam, violam, humilham, limitam, matam. E contra esses pais ninguém se insurge, esses têm todos os direitos e protecções legais. E a par disso há outros milhares de crianças a viver em lares e instituições sem saberem o que é ter uma casa, uma família. E haver quem queira impedir duas pessoas de poderem acolher uma dessas crianças enquanto casal e dar-lhe uma família, amor, estabilidade, educação, e tudo o resto, só por se tratarem de dois homens ou duas mulheres, isso é que é egoísmo. É estupidez, mesquinhez, pequenez de espírito. As únicas questões que deveriam ser levantadas quanto à adopção seriam se na família que quer acolher uma criança há amor, se há condições para a criar de forma saudável e feliz. Tudo o resto são tretas. E espero que possamos, enquanto país, ser evoluídos e humanos o suficiente para provar que sabemos isso, e que ninguém é suficientemente alguém para roubar ou limitar a liberdade a outra pessoa.
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