permaneço.
sentada no mesmo
lugar
onde me
sentei
faz já algumas
horas.
quieta
assisto
ao passar do tempo
pela janela
suja pela marca
dos milhares de dedos
que nela se apoiam
todos os dias
as árvores que
compõem a
paisagem
correm
do outro lado do vidro
deixando-me a mim
parada
imóvel
neste banco
de tecido
corroído
pelo uso.
à minha volta
caras desconhecidas
estranhos
emergidos nas suas
próprias vidas
enfrentam o chão
como se nele
procurassem as respostas
para as questões
das suas vidas.
observo-lhes os
gestos
distraídos
involuntários,
fascino-me com
a naturalidade
com que agem
as pessoas
perdidas
em si mesmas
esquecidas
da inevitabilidade
de olhos que
as observam.
entregues à honestidade
de serem o que
são.
tão frágeis
falíveis
humanas.
tão frágeis
falíveis
humanas.
(...)
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