segunda-feira, 12 de maio de 2014

encontro-te agora quase todas as noites,
em sonhos que me parecem tão reais quanto os dias em que aqui estiveste ao meu lado
já não sei o que é verdade
temo ter perdido o que restava da frágil lucidez com que fui brindada
se em alucinações nocturnas te afago os cabelos com os dedos e te beijo a face com os lábios frios
onde estás tu?
ou, talvez, onde estou eu?
os longos quilómetros que nos afastam à luz do dia, à noite parecem desaparecer
desfazem-se em fumo sobre as nossas cabeças e como que num golpe de magia estás aqui
ou estou aí
ou estamos ambos numa qualquer outra dimensão onde o tempo e o espaço são conceitos abstractos de metafísica que não regem a nossa existência
e nesse sítio onde estou eu e estás tu, todas as noites são nossas
e sob a lua,

abdico da razão, da lógica, do que sei, e troco tudo pelo prazer de te encontrar todas as madrugadas num qualquer lugar da minha loucura

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