encontro-te
agora quase todas as noites,
em sonhos que
me parecem tão reais quanto os dias em que aqui estiveste ao meu lado
já não sei o
que é verdade
temo ter
perdido o que restava da frágil lucidez com que fui brindada
se em
alucinações nocturnas te afago os cabelos com os dedos e te beijo a face com os
lábios frios
onde estás tu?
ou, talvez,
onde estou eu?
os longos
quilómetros que nos afastam à luz do dia, à noite parecem desaparecer
desfazem-se em
fumo sobre as nossas cabeças e como que num golpe de magia estás aqui
ou estou aí
ou estamos
ambos numa qualquer outra dimensão onde o tempo e o espaço são conceitos
abstractos de metafísica que não regem a nossa existência
e nesse sítio
onde estou eu e estás tu, todas as noites são nossas
e sob a lua,
abdico da
razão, da lógica, do que sei, e troco tudo pelo prazer de te encontrar todas as
madrugadas num qualquer lugar da minha loucura
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