terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Escrevo-te para não me esquecer de ti, mas também, e acima de tudo, para que não te esqueças de mim. Não sei como funciona o tempo nesse sítio onde abrigas a alma, mas por aqui os dias ficaram mais lentos, apesar de a vida andar muito rápido. E as ruas que percorríamos de mãos dadas, percorro-as agora sozinha, com a memória de ti a abraçar-me o peito numa tentativa de me reconfortar as saudades. Eu cresci, mas a criança que dormia no teu colo continua aqui, e ainda procura abrigo nos teus braços quando o mundo lhe pesa nos ombros, com a esperança que a tua voz lhe acalme os medos e a abrigue. Mas tu estás do outro lado da vida, algures num sítio onde os dias não têm tempo, onde tudo é simples e nada magoa a alma, e eu não poderia desejar-te melhor do que isso. Talvez me vejas a percorrer a vida de mãos na cabeça e te rias da tonta que por aqui anda, talvez sejas a voz que me reconforta em sonhos e me diz que está tudo bem, talvez continues a cuidar de mim, apesar da vida ter deixado de ter dias para nós. Mas um dia o mundo dá a volta e ficamos as duas do mesmo lado. E eu volto a correr para os teus braços.

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