estendo as mãos para alcançar o que sonhei
imagem turva e abstracta
imaterial
que delineio com os dedos já cansados
com o fôlego inebriado
mas firme e cerrada
hei-de tocá-la
hei-de preencher esse sonho com o meu corpo
não posso ceder à escuridão que me procura
não me renderei à tentadora loucura
que é tão fácil ter medo e desistir
finco o pé
e permaneço
não cesso o esforço de tocar esta miragem
que sou eu
por outros olhos
desenhada
por isso deixo as lágrimas cair em terra brava
deste chão há-de nascer a primavera
e é a mulher que se desfez em mil pedaços
que há-de dar à luz esta quimera
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