A noite já vai longa, lá fora apenas o vento se faz ouvir
Cá dentro o som das teclas que tacteio com cuidado e a sua respiração
Grave e pesada
De quem já se entregou ao sono faz agora muitas horas
A sua cabeça caída sobre o meu colo
Os olhos fechados, a boca aberta, um braço caído para fora da cama e outro entrelaçado na minha perna
O seu peito movimenta-se levemente e acalma-me os sentidos
Percorro-lhe os cabelos despenteados com as pontas dos dedos e sorrio
Toda a loucura e confusão dos dias vem morrer aqui
Na tranquilidade de o ter ao meu lado no silêncio das madrugadas
No auge da sua vulnerabilidade, calmo e feliz
A aquecer-me a alma e o peito sem que o saiba
Perdido em sonhos e murmúrios de voz rouca e imperceptível
Estou aqui
E beijo-lhe a testa, o peito, as mãos
Rendida a si
quarta-feira, 25 de março de 2015
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