nos seus olhos ele via o mundo
um poço sem fundo
um abismo no céu
nos seus olhos viviam as memórias
dos dias felizes
e as feridas
das noites em branco
o ruído do pranto
as lágrimas salgadas
a escorrer-lhe no rosto
os olhos fechados para não o ver
e não dar vida ao
pesadelo
é só um pesadelo
ainda consigo ouvi-lo
aqui, tão perto
a ausência que era alívio
agora dói
nos seus olhos ele via a vida
via-se a si
um reflexo
via-lhe nas rugas o seu futuro
nas suas feridas um passado
não curado
um presente
envenenado
a raiva não é alimento do ser
e eu vi-a morrer-lhe nas mãos
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