segunda-feira, 17 de agosto de 2015

o som da sua gargalhada vive-me gravado na alma
e oiço-o às vezes em sonhos que imagino acordado
e sinto-o aqui
apesar do rio que nos separa
nunca está longe de mim
vejo na minha cara a dele
nas minhas mãos as suas
e ao ouvir-me rir, oiço-o a ele
o sangue que nos corre nas veias é o mesmo
como uma linha circular
não tem um fim
uma parte de ti vive em mim
e seio-o com toda a certeza
uma parte de mim viverá sempre em ti
e num lugar dentro de nós
estás tu, com a idade que eu agora tenho
a segurar-me sobre os ombros
a ensinar-me de que é feito o mundo
e eu agarro-te as mãos com toda a força
com medo te perder
oiço-te como se as tuas palavras fossem o 
batimento que me faz viver
e deixo que me guies pelas ruas atribuladas
e pelos jardins coloridos
e nesse lugar dentro de nós
esses dias nunca acabam
e lá viveremos sempre felizes
tu o homem, o pai
e eu a criança feliz

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