fecho os olhos para que possa ver melhor
o teu rosto tão distante
destas mãos que te procuram
olho para dentro de mim
as memórias forram-me a alma
presas por um fio que não quebra
fecho os olhos e vejo os teus
olham-me o fundo
prolongam-se e demoram
alcançam o centro de onde nasce tudo em mim
inspiro fundo e no ar que respiro
procuro vestígios do teu cheiro
a minha infância ainda vive dentro do teu casaco cor de mel
aroma de perfume e cigarros
com o peso do mundo às mãos de uma criança
agora sou do tamanho do que sonhei
mas ao encontro do meu corpo com os teus braços
volto a ser quem deposita a vida em ti
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