segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

É intragável a vida que te escorre pelos dedos
As mãos cheias de nada
Tentam a todo o custo fazer respirar
Os dias que morreram nos teus braços
Em vão
Caíram sem vida, vazios, no chão
do teu peito
E perguntas-te a soluçar porque não viste antes o que vês hoje com a nitidez da luz do dia
A lucidez dos que olham para a guerra através de um livro de história, já longe dos campos de batalha
Arde-te a alma e corrói
Pesam as palavras que não foram ditas
E as que foram malditas
A mágoa de uma dor sentida, arrependida
Vês hoje o que não foste capaz de ver
Queres romper, ceder
Voltar aos dias de guerra e acordar a paz
Não és capaz
O tempo corre, voa, escorrega-te das mãos
Como areia num dia de vendaval.
Voou.
Não há forma de parar os dias
E o mecanismos outrora parado, estragado, enferrujado
Voltou a girar...
Livre.
Oleado.
Recuperado.
Consertado por outras mãos.
Que vêem com outros olhos mais puros.
Seguros.

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