banha-lhe a pele pálida
penetra-lhe o corpo e alma
aquece-a por dentro
o fumo do cigarro que fuma
dissipa-se no ar
em círculos perfeitos
ela sorri de olhos fechados
pela gratidão que lhe enche o peito
está viva.
o mundo acabou na noite anterior
colapsou a seus pés
num cenário de guerra que visualizou
interiormente
adormeceu sozinha e vazia, entre garrafas
igualmente vazias
a desejar não acordar mais.
mas acordou.
E à luz do dia, o fim do mundo
da noite anterior
não parecia encaixar na beleza
do cenário de um novo dia
riu-se de si própria.
apagou o cigarro
abriu os olhos
respirou fundo
a brisa da manhã
como se a enchesse de vida.
depois
enfiou-se na cama,
abraçou o corpo que lá dormia
viu-o acordar e sorrir.
sentiu-se inteira.
e fizeram amor até a noite voltar a cair.
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