quinta-feira, 28 de junho de 2018
a praia estava deserta naquele dia de verão que de quente e solarengo nada tinha. o céu estava escuro e o mar bravo. ele chegou ao areal e descalçou-se imediatamente. um dos seus maiores prazeres era sentir a areia debaixo dos pés. estava nervoso. era um grande dia. respirava fundo encostado nas rochas, fitando o oceano infinito à sua frente. tinha esperado por este dia a vida toda. mesmo que só agora tivesse a noção clara disso. quando se sabe, sabe-se. e ele sabia. era ela. a mulher que não se comparava a nenhuma outra. quando olhou para ela a a primeira vez foi como se todo o barulho dentro dele se acalmasse. os fantasmas adormeceram. os medos silenciaram-se. o caos transformou-se em tranquilidade. olhando para os olhos dela, via-se a si. via-se mais ele próprio do que nunca. fechou os olhos e quando os abriu ela sorria ao seu lado. a pele morena, olhos escuros, e o sorriso mais belo que alguma vez vislumbrara. tocou-lhe no rosto. o sentimento que o invadia era o de que tudo o que tinha vivido até aquele momento, todas as desilusões, e traumas, todos os beijos, pessoas, e experiências, tudo tinha sido estrategicamente encaminhado por uma força maior para o levar ali. aquele momento. onde tudo se alinhava. antes de a conhecer, ele já não acreditava no amor. já se tinha rendido aos romances fulminantes e meramente satisfatórios, às noites de prazer físico e aos breves momentos de felicidade que de vez em quando lhe surgiam. mas quando a viu pela primeira vez, tudo mudou. o seu olhar ganhou luz. a sua alma despertou de um longo sono. a vida que até então já só era de cores neutras e apagadas ficou pintada de cores vivas. ele soube desde o primeiro vislumbre dela na ponta oposta da sala. e quando os seus olhares se cruzaram ela sorriu porque soube também. desde esse dia tudo mudou. as acções mundanas do dia a dia nunca mais são as mesmas quando se reconhece a pessoa com quem estamos destinados a ficar.
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Sem comentários:
Enviar um comentário